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Mulheres que viajam sozinhas: histórias para conhecer e se inspirar



Em tempos de crise, o cuidado com a saúde e bem-estar das pessoas se tornaram prioridade mundial. Entre tantos setores impactados, o turismo também se destaca, justamente por esse momento focado em #ficaremcasa. Apesar das circunstâncias, é fundamental manter o pensamento positivo de que tudo vai mudar para melhor. Então, mesmo que viajar agora seja algo fora de questão, ainda é possível planejar destinos para se encantar. Nessa reportagem trazemos histórias de algumas mulheres que provam a possibilidade de viagens a sós. Isso mesmo, algo que nem sempre é pensado, mas que é importante colocar em pauta. Estar com as pessoas, foi provado que faz muita falta, não é mesmo? Mas quem disse, que você não vai conhecer e vivenciar a experiência com um monte de gente?


Patrícia em sua viagem pela Espanha, país que chegou a ser sua casa por alguns anos


Por que viajar sozinha?

Para muitas mulheres, tomar a decisão de viajar sozinha é um processo complicado. Mas, para essas três viajantes, a escolha veio da forma mais tranquila possível.

Kívia, que realizou o desejo de dar a volta ao mundo entre 2013 e 2014, relembra que encarou todo o processo com naturalidade. “Era um sonho antigo e sempre via minha mãe viajando sozinha, achava isso muito normal”, afirma.


Laís decidiu voar sem companhia depois de acompanhar várias histórias de pessoas que viajavam sozinhas em fóruns virtuais. Porém, a jovem admite que essa escolha chocou algumas pessoas que conhecia. “Ouvi muitas perguntas sobre minha coragem. As pessoas ficavam chocadas e diziam que nunca teriam a mesma coragem ou que achavam que não iriam gostar da experiência”, relembra.


Viajar sozinha pode garantir uma experiência enriquecedora. Além de ser mais fácil planejar a viagem – visto que não é preciso conciliar agendas e gostos para comprar a passagem aérea – a vivência do destino pode ser mais completa, pois é preciso estar mais atenta aos detalhes, se informar bem sobre o que fazer e como chegar.


Outros benefícios é a possibilidade de conhecer pessoas novas e o amadurecimento. Afinal, especialmente em viagens longas, é preciso tomar decisões e fazer acompanhamento do orçamento.


Patrícia tinha certeza de sua vontade de viajar sozinha desde cedo. “Nunca considerei viajar de outra forma. Valorizo muito minha independência e a minha liberdade, difícil pra mim é viajar com outras pessoas, ter que conciliar planos e expectativas”, afirma a tradutora.


As inciativas femininas

O hábito de viajar sozinha tem ganhando força entre as mulheres. Os números mostram que, ao longo dos anos, elas têm optado cada vez mais por se aventurar em viagens sem companhia.


Um levantamento feito pela empresa MaxMilhas, demonstra que entre os anos de 2019 e 2020 houve um aumento de 8% no número de mulheres que compraram voos sem acompanhante.


Esse movimento é corroborado por uma pesquisa do Ministério do Turismo, que aponta que o porcentual de mulheres que desejam viajar sozinhas (17,8%) é maior do que o de homens que desejam fazer o mesmo (11,8%).


Porém, em comparação ao resto do mundo, esse índice ainda é baixo. Uma pesquisa realizada pela British Airways, batizada de (Don’t) Come Fly With Me, mostrou que, no mundo todo, 50% das mulheres estão optando por viajar sem acompanhante. Então, trata-se de um hábito mais recorrente mundo afora.


Afinal, partir para uma viagem solo nem sempre é uma tarefa fácil para mulheres, o que acaba desencorajando muitas a fazer. Ainda há muito receio, uma vez que explorar o mundo sozinha pode significar correr riscos, devido à cultura machista disseminada em muitos países do globo. É preciso ter cuidado, mas conhecer histórias de outras mulheres pode ser inspirador!


A jornalista Kívia Costa, de 33 anos, tem o hábito de viajar sozinha e já conheceu 70 países. Para ela, uma das grandes preocupações da mulher que viaja sozinha é o assédio.



Kívia registrou muitos momentos de seu passeio pelo Deserto do Saara em 2014


Kívia é uma das diversas viajantes que já sentiu na pele a dificuldade de transitar sozinha pelos lugares. “Sempre tem assédio. Na América Latina é particularmente preocupante, sobretudo no Caribe. No leste e centro da Europa o machismo também é bem forte”, afirma.

A historiadora da arte, Laís Daflon, de 28 anos, relata que o assédio foi um problema em alguns dos destinos visitados.



Laís Daflon em 2014 durante sua visita pela Caboja


“Onde mais senti isso foi em Roma. Havia homens que puxavam assunto ou faziam algum comentário e, se eu ignorasse, continuavam falando e até me seguindo”, afirma a jovem, que já esteve em países como Tailândia, Camboja e Singapura.

“No Peru também ocorria bastante de ouvir cantadas insistentes na rua, mesmo estando em grupo”, completa.


Já Patrícia Matos, tradutora e doutoranda em Comunicação, de 34 anos, teve uma experiência diferente: “nunca sofri assédio em nenhum local que visitei, só onde moro, no Rio de Janeiro”.


Patrícia em sua viagem pela Espanha, país que chegou a ser sua casa por alguns anos

No entanto, para além do assédio, o machismo pode transparecer sob outras formas.

O sexismo, por exemplo, pode se manifestar quando tentam impedir uma mulher de fazer algo, sem justificativa além do gênero ou quando há um entendimento de que a viajante não será capaz de fazer alguma atividade que um homem conseguiria.


Kívia diz que isso é uma realidade quando se está sozinha em outro lugar do mundo. “Muitos desconhecidos tentam me impedir de fazer algo porque aquilo ‘é perigoso para uma mulher’. Também há questionamentos constantes sobre onde está meu marido, meu namorado, meu pai… Enfim, onde está o homem”, afirma a jornalista.

Dicas para as viajantes solo

Além de escolher um destino que passe segurança, uma boa dica é procurar outras mulheres que já passaram por essa experiência, para conhecer um pouco mais sobre sua vivência.


Se for o caso de não conhecer ninguém pessoalmente, há fóruns digitais destinados para isso. “Existem muitos grupos on-line para falar sobre o assunto, com dicas de hospedagem, indicações de lugares mais seguros, além de haver mulheres combinando de se encontrar em alguma cidade”, indica Laís.


Quando se opta por serviços como o Airbnb, por exemplo, um passo essencial é checar várias vezes as referências e avaliações sobre a hospedagem e o hóspede.

Se a mulher for viajar sozinha pela primeira vez e pretende se hospedar em um hostel, procurar locais que disponibilizem quartos exclusivamente femininos pode ser uma boa ideia. Eles costumam ser um pouco mais caros do que os mistos, mas podem ajudar muito no sentimento de confiança da viajante.



Informações e dado cedidos pela assessoria de imprensa da Experta Midia

Fotos: Arquivo Pessoal

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