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História de superação: empresária do ABC reinventa-se com venda de máscaras




Pequena empreendedora produz máscaras para complementar renda familiar


Entre tantas mudanças que a pandemia da COVID-19 causa, existem pontos a se ressaltar, como a reinvenção de pequenos empreendedores. Vanessa Tavares, de 40 anos, moradora de Mauá, no Grande ABC, tornou uma das fases mais difíceis já vivenciadas por ela a oportunidade de complementar a renda familiar.


Atualmente, a pequena empresária produz máscaras personalizadas, com diversos detalhes e cores. O início da trajetória no ramo veio após diagnóstico de câncer de pulmão para sua mãe Emília (in memoriam), em março de 2020. Com a disseminação da pandemia no Brasil, Vanessa ficou assustada com a possibilidade da genitora contrair o vírus, por isso, passou a confeccionar máscaras de proteção para uso da família e também doava às pessoas que precisam do acessório de proteção.


“Quando minha mãe precisou de internação por conta da doença, tive que buscar máscaras para comprar, mas não encontrei. Então ganhei uma máquina de costura e passei a confeccionar. Porém com o pouco estoque de matéria-prima para os produtos, decidi vender também”, comenta Tavares.


A internet foi uma importante aliada durante este período da nova profissão. “Comecei a pegar moldes de máscaras diferenciadas. Queria fazer algo além das máscaras, mas que as pessoas sentissem bonitas e bem em usar”, afirma.


A história de superação



A artesã é formada em Ciências Biológicas e pós-graduada em Análises Clínicas. Entre os anos de 2002 e 2017, a profissional atuou em cargo administrativo no laboratório do Hospital Nardini, em Mauá. Após formada, também exerceu o cargo de biologista no mesmo local. “Eu fazia horários 12×36 horas em ambos os trabalhos. Minha vida social se resumia em quatro dias ao mês, mas, para mim, era maravilhoso, eu amava”, conta.


Ao casar-se em 2014 com Thiago, engravidou de Clara e durante a gestação teve que se afastar do emprego por ser diagnosticada com hiperêmese gravídica, que causa vômitos ininterruptos. “Percebi que somos apenas números na empresa e só servimos enquanto estamos bem. Quando minha filha nasceu percebemos que ela não dormia direito, mas os exames estavam normais. Então eu e meu marido optamos que o melhor seria eu ficar em casa para cuidar dela”, salienta.


Depois de pedir demissão, Vanessa decidiu que ficar dentro da residência sem exercer nenhum trabalho seria difícil. Por isso, mesmo sem saber colocar uma linha na agulha, como ela disse, começou produzir artigos para festas e lembranças personalizadas. “Iniciei em 2018 com a produção da festa da Clara. Não é um ramo fácil. O nicho não é tão gentil. Além disso, no Brasil ser microempresário é complicado, mas não vou desistir”, declara.


Cotidiano da costureira



Apesar das barreiras vencidas, Vanessa ainda lida com a falta da presença de dona Emília, que faleceu em novembro do ano passado. Porém conta com o apoio da família e a presença do pai Antônio. “Encarei ainda mais o trabalho para não pirar. Minha mãe era meu braço esquerdo e direito”, salienta.


Hoje, a costureira se desdobra entre os pedidos, entregas, cuidados com a casa e família, e outras tarefas domésticas. “Sei que não dou conta de tudo e não me incomodo com isso. Quando tenho muita demanda, comemos delivery. A casa limpo aos poucos. Já entendi que não daremos conta 100% das coisas, mas a vida passa rápido e temos coisas mais importantes para se importar”, finaliza.


Confira os produtos:


A jornalista Juliana Bontorim recebeu em sua casa as produções da artesã e traz algumas fotos também!




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