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Andreense realiza campanha online para estudar engenharia aeroespacial nos Estados Unidos





Analuz Marin Ramos, 18 anos, moradora de Santo André, concluiu o Ensino Médio, em 2020, com aprovação em quatro universidades norte-americanas. A andreense busca arrecadar recursos financeiros para manter os estudos fora do Brasil através de campanha online.


A University of Southern California é o atual foco da recém-formada, que pretende seguir o plano profissional mesmo que não vá para os Estados Unidos. Porém a decisão final de sua ida para o estado norte-americano depende da captação de verba suficiente para realizar o sonho de se tornar Engenheira Aeroespacial.


Devido a pandemia, a instituição internacional reduziu os valores destinados aos estudantes estrangeiros, por isso, Analuz depende de bolsas externas para pagar o curso. "Tive a ideia de realizar a vaquinha virtual e arrecadar uma boa parte do valor necessário. Apesar de não cobrir todos os custos da faculdade, ela me dará uma boa ajuda para começar até que eu consiga um emprego lá e outros tipos de financiamento", relata.


Além disso, a estudante se inscreveu para se tornar bolsista de alguns programas, mas os resultados são divulgados próximos a data em que deve estar nos EUA, agosto 2021. "Caso eu consiga uma bolsa integral futuramente, o dinheiro arrecadado será doado para outros jovens que também sonham em estudar fora, mas que não têm condições de pagar o processo", declara.


Para doar, basta acessar o link e contribuir com a quantia que puder.


TRAJETÓRIA ACADÊMICA



A estudante conta com apoio dos pais Eduardo Ramos e Luciana Marin para se empenhar e buscar os sonhos estudantis. Desde o Ensino Fundamental, que cursou no Colégio Liceu Monteiro Lobato, Analuz participa efetivamente de olimpíadas do conhecimento, que envolvem disciplinas como Física, Matemática, Astronomia e outras. "Eu fazia aulas avançadas na escola em Astronomia e Astronáutica, então, peguei gosto pelos estudos. Conquistei nos 8° e 9° anos medalhas de prata na Olimpíada Brasileira. Já nos três anos do Ensino Médio fui premiada com ouro", afirma.


As competições organizadas pela Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), em 23 anos, superou a marca de 10 milhões de participantes, entre eles está Analuz.


"Tudo isso me fez ver que eu adorava essa área. Eu ajudava jovens da minha idade a planejar os estudos e ensinava matérias que eu tinha melhor conhecimento", lembra.


ESCOLHA DO FUTURO



Em 2019, a jovem recebeu convite para participar do evento "Jornada Espacial", organizado pela OBA, que convocou 100 alunos com as melhores notas das competições.


Ao todo, 100 mil pessoas concorriam para marcar presença no encontro de uma semana intensiva de workshops e palestras com especialistas do ramo da engenharia aeroespacial.

Aliás, também envolveu visitas aos centros de pesquisa como INPE, ITA, DCTA e EMBRAER. "Foi então que eu tive certeza que gostaria de seguir nesta área. Porém, com opções limitadas deste curso no Brasil, eu decidi tentar algo nos EUA, onde as faculdades investem seriamente em recursos. Após dois anos pesquisando as melhores oportunidades, estudando e me preparando para concorrer às vagas disputadas por outros jovens talentosos, eu consegui ser aceita na University of Southern California. De acordo com a Times Higher Education, ela está ranqueada entre as 20 melhores dos EUA e as 60 melhores do mundo, além de ser referência em engenharia aeroespacial", comenta a residente do ABC, que também foi aceita em Iowa State University, Illinois Institute Of Technology e Pennsylvania State University.


Durante a trajetória no colegial, cursado na Termomecânica, Analuz integrou diversos projetos voluntários, em conjunto com o grupo CTM Solidário. Por isso, criou em seu colégio a oportunidade de ensinar outros alunos sobre astronomia. A menina teve auxílio dos professores Horácio de matemática e Modesto de Física. Além disso, os docentes Rafael (física) e Pablo (filosofia) também contribuíram academicamente escrevendo cartas de recomendação para a aprendiz.


Outros educadores de Analuz também foram importantes para a concretização da escolha do curso. "Eles sempre me incentivaram a buscar e aprender mais. E, claro, a fazer o possível para estudar fora do país", diz.


O sonho da caloura de engenharia aeroespacial é aprender, desenvolver e retribuir todos os esforços em prol do seu país. "Meus maiores objetivos em estudar fora são de aproveitar as oportunidades de pesquisa, principalmente na área de sensoriamento remoto, pois pretendo voltar ao Brasil para trabalhar no desenvolvimento de equipamentos de monitoramento de queimadas e do meio ambiente em geral. Outro grande sonho é trabalhar em projetos para a exploração de Marte, pois acredito que seja uma missão muito promissora e que pode nos trazer várias respostas sobre o surgimento da vida no nosso sistema", conclui.

Fotos: arquivo pessoal

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